LGPD nos anúncios do escritório: cuidados com os dados de quem chama

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LGPD nos anúncios do escritório: cuidados com os dados de quem chama

  • Por equipe da Comarka Ads
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A LGPD nos anúncios do escritório vale a partir do momento em que alguém chama: nome, telefone e conversa já são dados pessoais. O escritório precisa coletar só o necessário no formulário, proteger o WhatsApp e o CRM, ter política de privacidade e cuidar em dobro dos dados de saúde, comuns no previdenciário e no trabalhista.

Resumo

  • Nome e WhatsApp de quem chamou já são dados pessoais.
  • O escritório costuma ser o controlador; a agência, operadora.
  • Laudos e atestados são dados sensíveis e pedem cuidado extra.
  • Nenhum dado pessoal deve ir para o Google Analytics.

Por que a LGPD entra na conversa sobre anúncios

A LGPD entra porque todo anúncio que funciona termina em dados pessoais: um nome, um telefone, uma conversa sobre um problema. A partir do momento em que a pessoa chama, o escritório passa a tratar dados e responde por eles.

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) chama de dado pessoal qualquer informação ligada a uma pessoa identificada ou identificável (art. 5º, I). O nome e o WhatsApp de quem chamou já se encaixam.

No escritório, o controlador é quem decide o que fazer com os dados; em geral, o próprio escritório. A agência e os sistemas que tratam os dados em nome dele são operadores (art. 5º, VI e VII). Isso significa que a responsabilidade principal fica com o advogado, mesmo quando a coleta é feita por um fornecedor.

Este guia mostra os cuidados práticos com os dados que chegam pelos anúncios. Ele não substitui a análise jurídica da adequação do escritório à LGPD.

Os pontos de coleta de dados e o cuidado com cada um

Os dados de quem chama o escritório entram por seis pontos, do formulário ao relatório da agência. Cada um tem um risco comum e um cuidado mínimo.

Pontos de coleta de dados nos anúncios do escritório, o que entra em cada um e o cuidado mínimo
Ponto de coletaQue dado entraRisco comumCuidado mínimo
Formulário da landing pageNome, telefone, e-mail, área do casoPedir mais do que o necessário para o primeiro contatoSó os campos que servem para responder; link para a política de privacidade ao lado do botão
WhatsApp do escritórioTelefone, mensagens, áudios, fotos de documentos e laudosCelular pessoal sem senha, conversas antigas guardadas sem prazoAparelho ou conta do escritório, com senha, e regra para apagar o que não virou cliente
CRM ou planilhaHistórico do contato, origem, etapa e resultadoPlanilha compartilhada por link aberto ou enviada em grupoAcesso por usuário, sem links abertos, e registro de quem pode ver
Ferramentas de anúncio e AnalyticsDados de navegação e cliquesEnviar nome ou telefone para o Analytics ou para a plataforma sem critérioNenhum dado pessoal no Analytics; uso de dados nas plataformas só com base legal e aviso na política
Agência ou fornecedorAcesso à conta de anúncios, ao CRM ou às conversasFornecedor com acesso amplo e sem contrato que trate dos dadosContrato com cláusula de proteção de dados e acesso só ao necessário
RelatóriosListas de contatos com nome e telefoneRelatório com dados pessoais circulando por e-mailRelatório com números agregados; lista nominal só dentro do CRM

O WhatsApp é o ponto mais sensível

No WhatsApp, a pessoa manda o que quiser, inclusive fotos de documentos, exames e laudos. Por isso o aparelho e a conta de atendimento precisam ser do escritório, com acesso controlado.

O formulário é o ponto mais fácil de acertar

O formulário só coleta o que o escritório pede. O princípio da necessidade (art. 6º, III) limita o tratamento "ao mínimo necessário" para a finalidade; para o primeiro contato, nome, telefone e área do caso costumam bastar.

Dados de saúde e outros dados sensíveis

Dado de saúde é dado pessoal sensível, e isso aparece muito no previdenciário e no trabalhista. Laudos, atestados e relatos de doença entram nessa categoria (art. 5º, II).

A lei permite tratar dado sensível sem consentimento quando ele é necessário para o "exercício regular de direitos, inclusive em contrato e em processo judicial, administrativo e arbitral" (art. 11, II, "d"). Mas essa base cobre o que é necessário para o caso, e não a coleta de laudos de quem só estava tirando uma dúvida.

Na prática, no primeiro contato

Peça o documento sensível só quando ele for preciso para avaliar o caso, explique para que vai usar e guarde em local com acesso controlado. Se a pessoa não virou cliente, aplique a regra de exclusão do escritório.

Em que base legal o escritório trata os dados de quem chama

Para responder a quem pediu contato, a base mais comum é a de "procedimentos preliminares relacionados a contrato" (art. 7º, V). Depois que o contrato é assinado, entram a execução do contrato e o exercício regular de direitos em processo (art. 7º, V e VI).

Usar os dados para outra finalidade, como mandar conteúdo a quem não virou cliente, pede outra base, como o legítimo interesse (art. 7º, IX), com registro das operações (art. 37), ou o consentimento. Na dúvida, não reaproveite a lista sem análise.

A política de privacidade

A pessoa tem direito a informação clara sobre a finalidade, o tempo de guarda, quem é o controlador e com quem os dados são compartilhados (art. 9º). A política de privacidade, com link ao lado do botão do formulário, é o lugar dessas informações.

Rastreamento de anúncios e LGPD

Rastrear de qual anúncio veio o cliente é compatível com a LGPD, desde que os dados pessoais fiquem no lugar certo. A origem da campanha pode ir para o Analytics; o nome e o telefone ficam no CRM.

O Google Analytics não aceita dados de identificação pessoal nos eventos (Ajuda do Google Analytics). Para ligar a campanha ao contrato, o cruzamento é feito dentro do cadastro do escritório, como explica o guia sobre de qual anúncio veio o cliente.

Ferramentas que gravam as conversas do WhatsApp para atribuir a origem pedem mais cuidado. Antes de contratar, leia o guia dá para rastrear WhatsApp do anúncio e confira no contrato onde os dados ficam e quem tem acesso.

Direitos de quem chamou e segurança dos dados

Quem chamou o escritório pode pedir acesso, correção ou eliminação dos seus dados (art. 18). Alguém no escritório precisa saber receber e responder a esses pedidos.

O escritório também deve adotar medidas de segurança para proteger os dados de acessos não autorizados (art. 46) e, se houver incidente com risco relevante, comunicar a autoridade nacional e os titulares (art. 48). A lei prevê ainda a indicação de um encarregado pelo tratamento de dados (art. 41).

Checklist de LGPD para os anúncios do escritório

Use os dez pontos abaixo para revisar a coleta de dados que nasce dos anúncios. Cada item falho é um ponto a corrigir antes de aumentar a verba.

  • O formulário pede só o necessário para responder ao primeiro contato.
  • Há link para a política de privacidade ao lado do botão do formulário.
  • A política diz quem é o escritório, para que usa os dados, por quanto tempo guarda e como a pessoa pede acesso ou exclusão.
  • O WhatsApp de atendimento é do escritório, com senha, e não o celular pessoal de quem atende.
  • Laudos, exames e documentos com dados de saúde não ficam soltos na galeria do celular.
  • O CRM ou a planilha tem acesso por usuário, sem link aberto.
  • Existe regra para apagar dados de quem não virou cliente depois de um prazo definido pelo escritório.
  • Nenhum dado pessoal vai para o Google Analytics.
  • O contrato com a agência e com os fornecedores trata da proteção de dados.
  • Alguém no escritório responde aos pedidos dos titulares dos dados.

Quando a Comarka Ads monta o caminho para rastrear do clique ao contrato, esses pontos entram na revisão: o que vai para o Analytics, o que fica no CRM e quem acessa cada coisa.

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Perguntas frequentes sobre LGPD nos anúncios do escritório

Respostas curtas para as dúvidas mais comuns sobre o tema.

O escritório precisa de política de privacidade para anunciar?

Na prática, sim. A LGPD exige informação clara sobre a finalidade, o tempo de guarda e quem é o controlador (art. 9º). A política com link ao lado do formulário é o lugar dessas informações.

Preciso pedir consentimento no formulário de contato?

Nem sempre. Para responder a quem pediu contato, a base mais comum é a de procedimentos preliminares relacionados a contrato (art. 7º, V). Consentimento entra quando o uso vai além disso.

Posso receber laudo médico pelo WhatsApp?

Pode, quando for necessário para avaliar o caso. Dado de saúde é sensível (art. 5º, II): explique para que vai usar, guarde em local com acesso controlado e apague se a pessoa não virar cliente.

A agência de anúncios responde pela LGPD?

A agência que trata dados em nome do escritório é operadora e tem deveres próprios, mas o controlador costuma ser o escritório. O contrato com a agência deve tratar da proteção de dados.

Posso mandar conteúdo para quem chamou e não fechou contrato?

Só com base legal para essa nova finalidade, como legítimo interesse com registro ou consentimento. Reaproveitar a lista sem análise é um risco.

Escrito por

Equipe da Comarka Ads

A Comarka Ads é uma agência de tráfego pago para advogados e escritórios de advocacia, fundada em 2019 por Lucas Santos. A equipe tem 23 pessoas, entre gestores de tráfego, design, edição de vídeo, comercial e CRM. Veja como a Comarka Ads trabalha na página sobre a agência.

Fontes consultadas

Estas são as normas e páginas usadas para escrever este guia.

  1. Lei 13.709/2018 (LGPD), Planalto
  2. Ajuda do Google Analytics, medição otimizada

Este guia tem caráter informativo e não substitui a consulta às normas da OAB nem a análise do caso de cada escritório.

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